Poesia portuguesa (Com tradução para catalão de Joan Navarro) - 2ª Parte
14 O mundo dos pirilamposinvadiu minha lembrança. E um coração pequenovai-me brotando dos dedos. Federico García Lorca, Prelúdio De mim só me lembrode um segredo turvo,sem culpa e sem enredos,no poço sombrio da infância.Suponho que existir é isto:sucumbir, impiedosamente,ao musgo podre da memória.O lago deixando adivinhar o zumbidode insectos que disputam, sem saberem,o mudo brilho […]
Éramos novosquando pensávamosque os anos pouco passavam. No encantamento das pequenas lonjurasera fácil resistir ao tempo:o mínimo gesto, um vestido azulalguém que passa a laranjadatinham a luz diáfana da perenidade. Em nós eternizaram-se as noitesde poucas e muitas palavras nos sofáseternizou-se o lobisomem do quintala luz que ilumina o apaziguamento. Habituei-me a reconhecer os dias […]
DESPEDIDA Adiós amigos todos, van llegandoesas horas violeta de la tardeen que todo se aleja de nosotroscon terca mansedumbre, sin dolor. Adiós dulces amantes invisiblesen queridas ciudades orvalladas,el tiempo se dormía en nuestros brazosy estábamos allí como en un sueño. Adiós ríos, adiós sendas pequeñas,trigales y labores congeladasen el tiempo de un pueblo y su […]
Poesia finlandesa atual - Parte I
Iltapäivän päättäväisyys Kun toukokuun lämpömittari nousee ja putoaa kaksikymmentäviisi astettalinnut kerääntyvät lämmittämään puita aamuisin rikottu kuisti itkee, joku viipyy auringossa keräämässä kaakeleitaja kokoamassa kuvioita, katsoo tulevaisuuteen, tämä ei jää tähän palanut asema herää syksyn peitosta ja pudistaa ikkunoitatoisina päivinä siellä kulkevat ihmiset jotka vaativat kasvonsa työnsä ja elämänsä, ylimieliset putoavat rikkaista kaupunginosistahiekka ratisee heidän hampaissaan, […]
Poesia finlandesa atual - Parte II
Sanansaattajat minä jään kielettömänä kielen esineiden keskellekun maa aukeaa koko voimallaan, ihmiset puhuvat alkuperän kieltä ja mennyt pohjoinen vaikenee siinä maassa jossa jään yksin tulen eteen,värittömät kasvot todistavat helpoista vuosista päivät leikkivät melankolialla ja avioliitollasanat virtaavat kuin kyyhkyset ja vinttikoirat kun opin ensin lukemaan jonkun selän takaamaanosat virtaavat ketterästi otsalla, on aikaa ihastella sommitella ja […]
ENQUANTO PASSEIAS TEU CÃO Quem vai contigoEnquanto sozinhoPasseias teu cão?MultidãoQue dela mesmaTe distingueCom um timbre únicoE tudo impregnaTocando com digitaisTurbilhonadasMúsicas secretasQuantas e quantasEstrelas concorrendoPara que brilhe a tuaAgora, nesta horaEm que sol e luaCoexistem no céuE só teu cão mostra saberQue as mãos que o levamSão as mesmas que levamUm mundo. *** DO ALTO E […]
As metáforas em Casa de Campo de José Donoso (Ensaio)
CASA DE CAMPO : As metáforas na abordagem narrativa de José Donoso* Trata-se de um livro denso dividido em duas partes, cada uma composta por sete capítulos. Envolvente no seu discurso inovador e trama exuberante, é tão transparente na prosódia, como intrincado na arquitectura da efabulação. Rompe com os cânones literários, sem perder a beleza […]
Escrito na Grécia de Amadeu Baptista (Recensão)
Apresentação do livro «Escrito na Grécia», de Amadeu Baptista Quando me foi colocada a questão de apresentar o livro «Escrito na Grécia» pensei que me seria simples e suficiente, por conhecer razoavelmente a Grécia, por ser amiga do poeta, por ser escultora com fortes raízes na harmonia e na proporção exigidas aos escultores gregos, por […]
A resolução de morrer Rather than words comes the thought of high windows Philip Larkin A vida era uma substância ácida, segundo alguns indicadores. No horizonte formava-se já a recordação da chuva que ainda não tinha caído. Nuvens baixas, densas, carregadas de uma imperturbável e escura nostalgia, assaltavam os céus. Quando abri a janela, vi […]
leyendo a Cecília Meireles UNA niña flota hermosa en el agua de mi pensamientoque discurre fragmentadoen silencio su belleza me atraviesa como una espada su belleza no está en el ojo que miraestá encerrada en sí misma es altiva e indiferente no puedo escaparsu mirada hipnóticame atrapa y me culpa una niña flota hermosa entre […]
Lavador de pratos Sussurram,na superfície da louça,os duendes da faiançae o piano de Satie.Enxáguodesejos inconfessos e,entre talheres,me despeçoda Gymnopédie.Há sempre um ar de águanas frases que me dizemquando a manhã acaba.E no brilho dos pratos,a mesma corda mágoa. Exercício de redação Ao Prof. José Newton Alves de Sousa No papel almaço,trinta linhas acesas. E um […]
I É preciso estar no lugar certo. A horaé de somenos importância. Existem circunstâncias em queverdadeiramente importanteé não chegar a horas. Ainda assim,não deves transparecer que o atraso se deve a qualquer tipo de desleixo.Pelo contrário,todos os minutos são preciosose devem obedecer ao mais rigoroso cálculo matemático.Assim, aquando da tua entrada no salão dos funestos,não […]
As catadoras de maçãs Saia sobre saiatrazem corpos vestidospara o inverno fechar A gramínea fria não alcançapés guardados em botase caminhantes em fila No refino da coletacontorcem seus finos braçosmeio tato, meio olhararrancam do caule fresca fruta Mulheres de rostos rubros,outras já tendo sulcos,repetidas vãoaté o cesto vir à tona frutos E cantarolam e tantoaté […]
Os grandes lagos da noite de José Manuel de Vasconcelos (Recensão)
Os grandes lagos da noite. José Manuel de Vasconcelos. Vila Nova de Famalicão: Edições Húmus, 2021. O livro “Os grandes lagos da noite” de José Manuel de Vasconcelos apresenta-se-nos como um conjunto de textos, onde predominam os longos poemas monostróficos (apenas nove não o são!) em verso livre e que, apesar da ênfase dada ao […]
Não Matarás! de Teresa Martins Marques (Recensão)
Não Matarás! Lisboa: Gradiva Publicações, 2022. Não matarás é o título do mais recente romance de Teresa Martins Marques. Esta obra, centrada no assassinato de Aldo Moro, insere-se num território pluridisciplinar, onde, para além da Ficção, se nos depara igualmente a História, o Jornalismo de Investigação, a Política e a Ética. Assim, e tomando como […]
KOLN CONCERT NO ÍNDICO O concerto de Colónia espalha-se pela baía até ao limite dasnuvensao tremer das águas sucessivo segue o altear do piano em seuespasmo infinitoesqueço-me do rumor das casuarinasesqueço-me de todos os sonsapenas o crescendo desse revolver do piano no interior das águas e chove tanto de súbito no marchove essa chuva quente […]
…. e Moisés subiu à montanha, a nuvem cobriu a montanha e envolveu-odurante seis dias. Ao sétimo, e sempre no meio da nuvem o Senhorchamou a Moisés; depois entrou na nuvem e subiu à montanha e alipermaneceu durante quarenta dias e quarenta noites. Aqui, tempo natural, sonhamos a nuvem da fresca passagem. Navegamos naestrela lunar, […]