As catadoras de maçãs Saia sobre saiatrazem corpos vestidospara o inverno fechar A gramínea fria não alcançapés guardados em botase caminhantes em fila No refino da coletacontorcem seus finos braçosmeio tato, meio olhararrancam do caule fresca fruta Mulheres de rostos rubros,outras já tendo sulcos,repetidas vãoaté o cesto vir à tona frutos E cantarolam e tantoaté […]
Os grandes lagos da noite de José Manuel de Vasconcelos (Recensão)
Os grandes lagos da noite. José Manuel de Vasconcelos. Vila Nova de Famalicão: Edições Húmus, 2021. O livro “Os grandes lagos da noite” de José Manuel de Vasconcelos apresenta-se-nos como um conjunto de textos, onde predominam os longos poemas monostróficos (apenas nove não o são!) em verso livre e que, apesar da ênfase dada ao […]
Não Matarás! de Teresa Martins Marques (Recensão)
Não Matarás! Lisboa: Gradiva Publicações, 2022. Não matarás é o título do mais recente romance de Teresa Martins Marques. Esta obra, centrada no assassinato de Aldo Moro, insere-se num território pluridisciplinar, onde, para além da Ficção, se nos depara igualmente a História, o Jornalismo de Investigação, a Política e a Ética. Assim, e tomando como […]
KOLN CONCERT NO ÍNDICO O concerto de Colónia espalha-se pela baía até ao limite dasnuvensao tremer das águas sucessivo segue o altear do piano em seuespasmo infinitoesqueço-me do rumor das casuarinasesqueço-me de todos os sonsapenas o crescendo desse revolver do piano no interior das águas e chove tanto de súbito no marchove essa chuva quente […]
…. e Moisés subiu à montanha, a nuvem cobriu a montanha e envolveu-odurante seis dias. Ao sétimo, e sempre no meio da nuvem o Senhorchamou a Moisés; depois entrou na nuvem e subiu à montanha e alipermaneceu durante quarenta dias e quarenta noites. Aqui, tempo natural, sonhamos a nuvem da fresca passagem. Navegamos naestrela lunar, […]
Poesia Norte-Americana e Equatoriana Atual
EL VIAJE AL PAÍS DE LOS CANGREJOS AZULES Sin saber salimos de ese lugar natal después de milesde años, las manos estaban llenas de flores y fangoe imaginamos la copiosidad inmensa de las lenguasy las heridas desconfiadas.Con las manos como criaturitas inmóvilesfuimos depositando gotas de mar en la lengua,y descubrimos que no somos eternos,cuando las […]
A palavra é o coração da casa (Recensão)
A PALAVRA É O CORAÇÃO DA CASA: recensão ao livro Uma casa no outro lado do mundo. Formado em filosofia é o poeta Victor Oliveira Mateus e a poesia é a sua casa. Não poderia deixar de esta construção ser alicerçada nos dois pilares de sua consciência, de um lado o pensar sobre o mundo, […]
François Villon, o "poeta maldito" da Idade Média, evoca Paris (Ensaio)
Francois Villon, o “poeta maldito” da Idade Média, evoca Paris Nos últimos anos da Idade Média, um poeta como Eustache des Champs celebra galhardamente, numa balada intitulada “Paris”, os encantos da capital francesa. C ‘est la cité sur toutes couronnée Fontaine et puits de sens et de clergie Sur le fleuve de Seine située: Vignes, […]
JARDÍN DE PIEDRA Otra tarde más de nubes lentísimassobre este jardín de piedras pulidas.Miro nada alrededor y lo percibo todo. Soy la niña angoleña de cabellosenmarañados que sonríe al pájaro,soy el yo fascinado que la observa. Hay una puerta amarilla y un perronegro que la olisquea con recelo. Soy el muchacho que escribe sin tildesen el móvil […]
A poesia do neo-realismo em Portugal (Ensaio)
A poesia do neo-realismo em Portugal Por Maria João Cantinho (i) É transparente como água que literatura não é política nem sociologia e que arte literária não é propaganda. Mas não é menos transparente que toda a obra literária – voluntária ou involuntariamente – exprime uma posição política e social e que toda ela faz […]
Scrivo poesie per vendicare tutti i bambini. Antonia Porta * Nella città ci sono punti magici:angoli dove sapere tutta l’età dell’acquadove ballare con la nebbia, parlarecon nessuno, confondersi. In mezzo alla strada i bambini giocano.Ci sono palloniche rotolano in pacee non li ferma nessuno: scappano. Signore! Signore è mia! Passandogli vicino mi sembravaparlassero della loro […]
de novoesta véspera de tina agitação das ínfimashoras voltadas para a comoçãoda sede na fozdo regresso não o regresso pulsantedos braços sobre a esperarubra ardendo nem o regresso comedidodos passos à constelaçãodo delírio antes o regresso emocionado do dia claro à confissão do adeus *** de novo aqui a solidão a cercara sede em tamboresbrancos […]
Musa a ouvir Verdes Anos e outros poemas Musa a ouvir Verdes Anos No coração de quem passaVerdes Anos, quem diriaMúsico Rui, de sua graçaReinventa a melodia. No Metro RestauradoresTudo o que era inda estáAo fundo dos corredoresOs cafés Luanda e Vává. Musa à porta da EscolaCinco e meia na Rua do TelhalSobem as escadas […]
O meu corpo humano de Maria do Rosário Pedreira (Recensão)
O meu corpo humano, Maria do Rosário Pedreira, Ed. Quetzal, 2022 O corpo é simplesmente uma alma. Uma alma enrugada, gordurosa ou seca, peluda ou calosa, áspera, flexível, estalejante, graciosa, (…) coberta de organdi ou camuflada em cáqui, multicor, coberta de graxa, de chagas, de verrugas. É uma alma em acordeão, em trompete, em ventre […]
La Cicatriz del Canto, livro de Noé Lima (Recensão)
Este libro de poemas dedicado a Mercedes Mallo Mallo es un poemario completo, maduro en donde sobresale el interés por la vida. Cultas las referencias poéticas que aparecen Erza Pound y T.S. Eliot, ambos impulsores de unos movimientos modernistas, principalmente el imaginismo y el vorticismo, corrientes que favorecieron un lenguaje de impacto, una imaginería desnuda […]
AVENIDA DA LIBERDADE -E tu, como te chamas? -Eu? -Sim, como te chamas? -Avenida da Liberdade. -Mas isso é um lugar. Tu, como te chamas? – Avenida da Liberdade! – És um lugar? -Está ali escrito, não vês? “Avenida da Liberdade”. -Sim, mas tu, tu mesmo, como te chamas? Ninguém é um lugar… -Eu posso […]
Penas Verdes em Tempos e Ventos de Guerra (Conto)
Conto XIX – Penas Verdes em Tempos e Ventos de Guerra Na minha casa, ao fundo do quintal, há um muro cinzento que corta a vista para o quintal das traseiras da casa do vizinho. Mas a cinquenta metros para lá do muro já se consegue ver as janelas do primeiro andar, da água furtada […]