menina e moça Menina e moça me levaram de casa de meu pai para longes terrase desde aí encontrei as ameaças que me destroema alegria matinal das aves e insectos antes tivesse ficado na aldeia a ouvir um sinomesmo sem a fé no deus ruralmas dançando com os sátiros debaixo das ramadasde cabelo enfeitado com […]
[Conozco mi culpa] Conozco mi culpa. Aprendizaje lento e insobornable.No hay quien dé más por menos,ni manerade asumir esta flor que hiere el agua. *** [Conheço a minha culpa] Conheço a minha culpa. Aprendizagem lenta e insubornável.Não há quem dê mais por menos,nem maneirade assumir esta flor que fere a água. Tradução de Carlos d’Abreu. […]
O ESPELHO Por aqui passam todos os diasaté que fique apenas um objectoabre-se o pano trémulo do olharcomo trémula é toda a procura verdadeiramesmo nas calmas e frias superfíciessob a atenção constante da morteVolta-se aos passos da inocênciaem poças de lama e luzcoração frágil sempre temendo a ignomíniacorrendo os caminhos árduos do imprevistoem expedições de […]
Três poemas inéditos Sucede, no outono, cortar o anelar esquerdocriar raízes, sem líquidos, debaixo da pele. Como em casasucede descobrir o corpo por todo o ladosemienterrado, ser meioequinócio privado de raios – háno estar aqui ainda obscuridadeo sopro que enxugao leitohá quem se habitue à antecâmarada culpa e, com audácia, já pensasque colheita, vindimo o […]
REPTO tente-meporque é azul demais e ofego rasgue-meporque os pássaros sabem e itinero afine-meporque é louco o gosto e aparvalho ria-meporque é a luz que abre e retino brilhe-meporque a boca é nunca e retumbo finja-meporque o sangue exala e rumoro cuspa-meporque a noite é presto e sincopo nunque-meporque o resto é sina e bem-quero *** FIO DA MEADA na antiquíssima casa novao lago é oferta de destinoe impulsos segredo: […]
Ladainha De que te ris, ó poemase só te esperam horasde iniludível abandonoou de puro fastioenquanto suspiras inutilmentepor um par de olhos incautosque se digne a prestar-tealguma atenção?E mesmo que tal suceda,que atraias para a tua esburacadateia uma vítima qualquer,como esperas tu,ó Ariadne de pacotilha,enlaçar-lhe o fio,rodopiá-lo em seu redore cravar-lhe na carneas tuas míseras […]
Não me pertenço Sou das profundezasdas grandes derreliçõesdos desertos inominadosdas cabras desamparadas Da vermelhidão reacesanos sexos das árvores Não me pertenço Escrevo cegaescravaservadríade Ver demais é doença? Aterrissei em terreno minadoDesisti das superfícies (permaneci vizinha do sol) Sou aquela mulher do Mercador do Rio– nunca olhei para trás Continuo intocada pelo horrorflertando com os olhos […]
CONFIGURAÇÕES DO ESPANTO Ainda há ruas para a revolta do mundo.Jorge de Sena Como atravessar o tumulto macabronesse anfiteatro de horroressem o escrutínio da indignação? Os homens soamferozese a política se diluientre o cortejo dos guichêse a lambança na pocilga Percorremosa sacralidade do caosem meioà totalitária argumentaçãoda morteàs pleonásticas núpciasdos pusilânimescom sua prole de fantasmas […]
Poesia portuguesa (Com tradução para catalão de Joan Navarro) - 1ª Parte
9 fazeis-metanta faltaneste mundo escuro Fernando Assis Pacheco,Apanhador de Pirilampos Sem direito a dia triunfal,por vezes acontece ser o que não sou,desperdiçando brandas palavrase grandiosos gestos musicais.Perdoa se exagero, mas assimse comporta o espírito dos amantes,sufocando numa sede de dilúvios.Punhal, lama, asa.Também um poema é um pedidode socorro a horas incertas.Quando metálicos oxímorosse vêm aninhar […]
Poesia portuguesa (Com tradução para catalão de Joan Navarro) - 2ª Parte
14 O mundo dos pirilamposinvadiu minha lembrança. E um coração pequenovai-me brotando dos dedos. Federico García Lorca, Prelúdio De mim só me lembrode um segredo turvo,sem culpa e sem enredos,no poço sombrio da infância.Suponho que existir é isto:sucumbir, impiedosamente,ao musgo podre da memória.O lago deixando adivinhar o zumbidode insectos que disputam, sem saberem,o mudo brilho […]
Éramos novosquando pensávamosque os anos pouco passavam. No encantamento das pequenas lonjurasera fácil resistir ao tempo:o mínimo gesto, um vestido azulalguém que passa a laranjadatinham a luz diáfana da perenidade. Em nós eternizaram-se as noitesde poucas e muitas palavras nos sofáseternizou-se o lobisomem do quintala luz que ilumina o apaziguamento. Habituei-me a reconhecer os dias […]
DESPEDIDA Adiós amigos todos, van llegandoesas horas violeta de la tardeen que todo se aleja de nosotroscon terca mansedumbre, sin dolor. Adiós dulces amantes invisiblesen queridas ciudades orvalladas,el tiempo se dormía en nuestros brazosy estábamos allí como en un sueño. Adiós ríos, adiós sendas pequeñas,trigales y labores congeladasen el tiempo de un pueblo y su […]
Poesia finlandesa atual - Parte I
Iltapäivän päättäväisyys Kun toukokuun lämpömittari nousee ja putoaa kaksikymmentäviisi astettalinnut kerääntyvät lämmittämään puita aamuisin rikottu kuisti itkee, joku viipyy auringossa keräämässä kaakeleitaja kokoamassa kuvioita, katsoo tulevaisuuteen, tämä ei jää tähän palanut asema herää syksyn peitosta ja pudistaa ikkunoitatoisina päivinä siellä kulkevat ihmiset jotka vaativat kasvonsa työnsä ja elämänsä, ylimieliset putoavat rikkaista kaupunginosistahiekka ratisee heidän hampaissaan, […]
Poesia finlandesa atual - Parte II
Sanansaattajat minä jään kielettömänä kielen esineiden keskellekun maa aukeaa koko voimallaan, ihmiset puhuvat alkuperän kieltä ja mennyt pohjoinen vaikenee siinä maassa jossa jään yksin tulen eteen,värittömät kasvot todistavat helpoista vuosista päivät leikkivät melankolialla ja avioliitollasanat virtaavat kuin kyyhkyset ja vinttikoirat kun opin ensin lukemaan jonkun selän takaamaanosat virtaavat ketterästi otsalla, on aikaa ihastella sommitella ja […]
ENQUANTO PASSEIAS TEU CÃO Quem vai contigoEnquanto sozinhoPasseias teu cão?MultidãoQue dela mesmaTe distingueCom um timbre únicoE tudo impregnaTocando com digitaisTurbilhonadasMúsicas secretasQuantas e quantasEstrelas concorrendoPara que brilhe a tuaAgora, nesta horaEm que sol e luaCoexistem no céuE só teu cão mostra saberQue as mãos que o levamSão as mesmas que levamUm mundo. *** DO ALTO E […]
leyendo a Cecília Meireles UNA niña flota hermosa en el agua de mi pensamientoque discurre fragmentadoen silencio su belleza me atraviesa como una espada su belleza no está en el ojo que miraestá encerrada en sí misma es altiva e indiferente no puedo escaparsu mirada hipnóticame atrapa y me culpa una niña flota hermosa entre […]
Lavador de pratos Sussurram,na superfície da louça,os duendes da faiançae o piano de Satie.Enxáguodesejos inconfessos e,entre talheres,me despeçoda Gymnopédie.Há sempre um ar de águanas frases que me dizemquando a manhã acaba.E no brilho dos pratos,a mesma corda mágoa. Exercício de redação Ao Prof. José Newton Alves de Sousa No papel almaço,trinta linhas acesas. E um […]