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44 artigos na categoria
Portugal
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Dois Poemas Inéditos

Covil da fera Queria ser estrela mais alto na desmesura do espaço queria ser excesso e tocar a luz Saber de mim o que em mim amordaço se inventa e desespera A encobrir no peito o covil da fera         Rigor De ti sei a raiz do sentimento o lugar do rigor […]

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Ensaio sobre a Obra de António Gancho

O GANCHO POÉTICO QUE FERE E NOS SEGURA   «Quando desaparecer/ hei-de pedir à noite/ que me consuma com ela/ que me devaste a alma/ não quero mais/ quero desaparecer na noite/ e só de noite consumir-me» (p. 139). António Gancho (1940-2005), in O Ar da Manhã, 1995   Ele tinha umas «mãos curvas de […]

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Uma leitura de Um Tempo a Fingir de João Pinto Coelho

Uma leitura de Um Tempo a Fingir de João Pinto Coelho   Penso correta a leitura do mais recente romance de João Pinto Coelho a partir de uma grelha interpretativa alicerçada nos conceitos de: continuidade e rutura. Pelo que não julgo despiciendo aplicarmos esta dicotomia às mais diversas categorias da narrativa: narrador, tempo, espaço, intriga, […]

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Dois Poemas

ANJO Vinha para me buscar mas ainda cá ando: tive nojo ao anjo Chegou-me acenando com as asas encardidas as penas sebosas com sabugo no cálamo Nem se assemelhava sequer ao verdadeiro anjo negro da miserável história desta vida: só genuíno desleixo a sujidade sob a auréola fosca : cotão e pó em suma nenhum […]

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Um Poema Inédito

Ruptura de ligamentos Correr fora de campo atrás da ilusão esférica da pertença Cair e ser a repetição da queda Ignorar duplamente a mudança a distorção inevitável de planos e regressar indolente a casa Cair em si no expectável acomodado ao fundo da cama Fazer-se escultura e regressar em desequilíbrio à inocência do Verão Sonhar […]

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Poemas Inéditos (versão bilingue)

HATMA DE 5 À 7 o fluído intersticial circula como se o meu corpo fosse a cidade (canta um galo na haorta canta outro ladram ao longe nos meus pés os cães que não tenho) uma cidade com trânsito rural um homem velho com braços fortes como ramos de carvalho e mãos grandes como raízes […]

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Palavra, Presença e Ausência nas Obras de Wenders e Dreyer (Ensaio)

Palavra, presença, ausência (Paris Texas, Wim Wenders e Ordet, Carl Dreyer)   Tendo em vista a atribuição epigráfica à leitura comparada de Ordet de Carl Dreyer e Paris, Texas de Wim Wenders, que me proponho realizar, evoco o poema “Ausência” de Vinicius de Morais:   “Eu deixarei que morra em mim o/ desejo de amar os […]

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Dois Poemas

Cura É preciso acender o mundo com a boca. Com o sol da nuca. Com o coração. São precisos todos os faróis. São precisos todos os relâmpagos. Todas as palavras são precisas Para acender o mundo. É preciso No fundo de um rio Uma pedra uma ideia de liberdade No centro do coração. Um chapéu […]

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Poemas Inéditos

Ascensão Demora a saber, o lugar de cada porta O canto forrado por uma ave morta As mãos que percorrem loucamente cada parede, até o ledo extenuar do sol. A princípio talvez fosse uma floresta imensa, um sítio próprio para as águas, Uma chave que encerrasse a linha irrequieta Sobre a mesa talvez pratos, que […]

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Asas Devoradas por Hienas (Conto)

A escassa argúcia dos antepassados não se revelava nas atitudes, pensamentos e vontades de Domitila. Por oposição ao pai, ateu sem qualquer temor a Deus, Domitila desde pequena encontrara na religião o melhor formato onde deter medos e inseguranças surgidas na escuridão da infância. Estabelecera entre a alma e o Céu um caminho eterno a […]

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O além é aqui ao lado (Conto)

As cinco horas da manhã não são propriamente o momento ideal para recebermos visitas ou, ainda mais estranho, para que se nos depare um forasteiro cirandando ao longo do corredor, contudo, depois de ter espreitado pela porta do meu quarto, foi com esta última alternativa que me deparei. Um homem, com mais de sessenta anos, […]

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Antonio Salvado del Intimismo al Universalismo (Ensaio)

Cuando hablamos de poesía de lo irracional nos referimos no solo al misterio de la realidad que nos rodea, sino también a unas formas de la lírica tradicional, a la claridad de pensamiento y a una modalidade diferente, y casi opuesta de comunicación entre lector y artista. En el arte contemporáneo, al menos en algunos […]

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Poemas Inéditos

sim, a noite a magnífica noite dar-me-á o silêncio e a ternura da magnólia abrindo-se para nós. E os nossos passos atravessarão a escuridão, onde crescem as ervas daninhas, levando-nos até ao mar até ao canto que resplandece no ar.     Fazer do poema um lugar que compomos a partir de um intervalo entre […]

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Inéditos de Teresa Rita Lopes

AUTOBIOGRAFIA BREVE Nasci em casa como dantes se nascia três meses depois do meu Pai morrer na mesma cama em casa como também dantes se morria. Nunca se soube do que o meu Pai morreu como dantes acontecia. Nasci com a mesma sem razão e cresci como então se crescia com mais vagar. Hoje é […]

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A agonia da rainha Ginga (Conto)

No fim de tudo procura-se a voz do início. A Agonia da Rainha Ginga   Daqui a umas horas amanhece. Há muitas noites que sinto a morte a roçar-me as costas. Os feiticeiros já só discutem o tempo que me resta viver. As horas que existem são uma constante espera pelo próximo surto de dores. […]

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Para arder até ao fim (Conto)

Para arder até ao fim   De dia, pernoitávamos em pequenos motéis, esquecidos entre as montanhas, longe de tudo. Só viajámos de noite, quando soprava a frescura. Apenas o vento e a escuridão da estrada, serpenteando entre as montanhas, nos faziam companhia, à medida que o automóvel engolia sofregamente os traços brancos do asfalto. Para […]

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Post-Scriptum Para Uma Memória Futura

Post-Scriptum Para Uma Memória Futura I Renasceste d’aonde, solidão? Que via de sombra atravessaste, que neblina conseguiste vencer, que precipícios venceste mais além ou que ravinas trepaste incólume até mim chegares? Há quanto não sentia os teus confins, do teu poço a secura, o extinto mar, e súbito m’envolves oprimindo. A tua lassidez varreu meus […]

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